Travessa Larga

" TRAVESSA: rua estreita e curta que estabelece comunicação entre duas ruas principais. " - - Por vezes pode ser larga...

Nome:
Localização: S.Maria, Sintra, Portugal

sábado, janeiro 28, 2006

Não sabemos


Não sabemos nada, e o que temos
é pouco: um nome,
um nome em prosa correntia;
tão pequeno que nem sequer
alcança o ramo
em flor da tília; menos ainda
a estrela do pastor;
um nome comum, Joaquim
António João,
bom para dizer quando o frio
é mais duro;
nome que bebe o orvalho
nos olhos de amigos mortos
tão cedo; ou perdidos.

Eugénio de Andrade - O Sal da Língua

terça-feira, janeiro 24, 2006

Fanha

SOPINHAS


Sopinhas de grão
são boas no Verão


Sopinhas de mel
ó Dona Isabel


Sopinhas de trigo
comigo e contigo


Sopinhas de vinho
para o cão do vizinho


Sopinhas de leite
não há quem rejeite


Sopinhas de nada
para a boca fechada


Sopinhas de tudo
para o gordo pançudo


Sopinhas de mar
à luz do luar


Sopinhas de entulho
já vou de mergulho




SETE VIDAS


Sete vidas tem o gato
sete vidas a gatinha
por teu riso de alegria
sete vidas eu daria
sete vidas mais a minha.


José Fanha- " Cantigas e Cantigos " - Terramar

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Vidas


CORO DOS EMPREGADOS DA CAMÂRA

É tão vazia a nossa vida,
é tão inútil a nossa vida
que a gente veste de escuro
como se andasse de luto.
Ao menos se alguém morresse
e esse alguém fosse um de nós
e esse alguém fosse eu...

...O sol andando lá fora,
fazendo lume nos vidros,
chegando carros ao largo
com gente que vem de fora
(quem será que vem de fora ?)
e a gente práqui fechados
na penumbra das paredes,
curvados prás secretárias
fazendo letra bonita.
Fazendo letra bonita
e o vento andando lá fora
rumorejando nas árvores,
levando nuvens pelo céu,
trazendo um grito da rua
(quem seria que gritou ?)
e a gente práqui fechados
na penumbra das paredes,
curvados prás secretárias
fazendo letra bonita,
enchendo impressos, impressos,
livros, livros, folhas soltas,
carimbando, pondo selos,
bocejando, bocejando,
bocejando.
Poemas Completos- Manuel da Fonseca

...e a gente práqui fechados, vendo e-mails, posts, chats, e todas as tecnologias que este presente-futuro nos entrega. Mas também, bocejando, bocejando, bocejando.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Adeus tristeza


Se...tu soubesses, meu amigo, como te tenho procurado, possivelmente já terías dado notícias.
Vou esperar mais um fim de semana, Armando.


Naqueles momentos de um sonho, que muitas vezes tentamos recordar, há um misto de tristeza e resignação. Porque aquilo que sonhámos (e tentamos reviver) não volta mais.


Quando nos contam segredos, são para guardar, não para "espalhar" aos quatro ventos, como se houvesse uma urgência de os divulgar.


Flash. Naquele relâmpago que a máquina fez, ficou o espanto de uma cara que ainda é bébé e mal abre os seus olhinhos.


A vida vai correndo, mal ou bem, consoante o nosso acordar. E por vezes rodopiando, rodopiando até que nos cansamos, felizes ou não, de a ver assim

sexta-feira, janeiro 06, 2006

João T.

Nasceste em Dia de Reis, meu pequeno Príncipe.
( Naquele Tempo houve uma Estrela que os guiou até ao Menino. )
Gostaría de te dizer, meu neto, que tu és a Estrela por onde pretendo guiar-me. Lembro-me que, dia após dia, ano após ano, vou mentalmente idealizando tudo o que vai mudar, o que quero mudar. E que, depois, se vai esbatendo.
Agora, com essa Estrela no horizonte tudo será mais fácil.
Quero dizer-te, João T. , que hoje vieste ao Mundo para mudar a vida de teu Avô. ( E de teus Pais, como é óbvio ) . Para além de te desejar todas as Venturas do Mundo , quero dizer-te, pequeno João T. , o quanto és importante para todos nós. Que Deus te abençoe.


...e desculpa se este texto não é tão bonito como tu.

Letras

J ( jota )

Então chegou Janeiro
com sua juba de chuva e frio
e sua cauda
de nevoeiro.

Mergulhei no dicionário
busquei o Junho o Jaspe o Jogo
parti para o jota do Brasil
pus-me a caçar o Jabué
Jaribu Jabuticaba Jacarandá.

Mas era o jota de Janeiro
com sua juba de chuva e frio
Não havia palavras que me levassem
ao Júbilo de Junho e Julho.

Mergulhei mais fundo no dicionário
procurei em Jalapa Jalapão
Jaluto
( que fica antes de Jamais )
Foi então que li: « Jamanta
- Peixe de Portugal ».

Não mais o jota de Janeiro
com sua juba de chuva e frio
e sua cauda
de nevoeiro.
Era o jota de Jamanta
com seu Jaspe e com seu Julho.

Fechei janelas recusei jantar
juntei os juncos da letra jota
pus-me a fazer uma jangada.

E fui pescar uma Jamanta.

Manuel Alegre , " Letras "

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Sonho

" Música de Fausto "

Num sonho de águas claras vou navegando à procura daquela Verdade que nos orienta a Vida.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

2006

"Revista Pública 31.12.2005"

As Palavras
...que me faltam. Para desejar a todos um Ano de 2006 com todos os Desejos realizados.