Volta do Duche


"....neste local, ainda me lembro, existia um lavadouro muito tosco.
Um pouco mais adiante funcionou um estabelecimento de banhos, cujas casas, muito arruinadas, ainda conheci. Junto havia a Fonte da Sardinha e, muito perto, a Fonte da Mina. Tudo desapareceu.
O acesso a estes banhos, que foram instalados em 1848 pelo médico Bernardino Silveira e Castro, fazia-se pelo lado da Vila Velha, através de um caminho, que perto dos banhos se bifurcava e que cortava os terrenos do actual Parque Municipal.
Esses banhos pertenceram mais tarde a António Pereira, que não foi feliz na sua exploração e, por isso, teve que os encerrar. Daí lhe adveio a alcunha de "Pouca Sorte". Ainda o conheci, já velho, governando a vida dificilmente com o pouco que lhe rendia um quiosque que instalou junto à igreja de S. Martinho.
Na época em que foi inaugurado o estabelecimento de banhos ainda não existia a Volta do Duche, cujo nome deriva dos ditos banhos.
Esta artéria, que foi aberta há cerca de 80 anos, segundo os cálculos do amigo Jorge Soares, chamou-se, depois de 1910, Avenida Elias Garcia; com o advento do 28 de Maio passou a chamar-se Alameda Marechal Carmona (nunca percebi porquê!) e, agora, por proposta minha em reunião da Câmara a que presidi (depois do 25 de Abril, bem entendido), voltou a chamar-se Volta do Duche.
E, parece-me, assim é que está certo. "
Obras de José Alfredo da Costa Azevedo - I Bairros de Sintra
Edição da Câmara Municipal de Sintra
E o Parque Municipal, já chamado de Dr. Oliveira Salazar, chama-se hoje, e muito bem, Parque da Liberdade


3 Comments:
Desde já começo por dizer que os azulejos são lindíssimos.
As pequenas histórias, fazem a História da nossa cidade, aldeia ou vila. Muito importante e interessante. Conhecendo o nosso passado, (penso) que poderemos projectar melhor o futuro!
No Norte, algumas pessoas estão a escrever memórias, da sua terra (a nível social, urbano, geográfico, costumes), tudo que possa interessar!
As pessoas mais velhas dão uma ajuda, depois é a correria para a Torre do Tombo, Registos prediais, civis, etc, etc. Na maioria são edições de autor, tornando-se muito difícil (economicamente) para quem o escreve.
Gostei muito deste post!
Parabéns pelas alterações toponímicas e sobretudo do Jardim!
GR
Gostei de conhecer as origens dos nomes. Já tardavam!
Beijos
Este blog, além de música e fotos perfeitas, agora nos trás história. Que bom que te achei! Quem sabe aprendo? Beijos
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